Ordem de Cristo, ou Ordem dos Templários

Atenção: uma parte deste texto é historicamente acurada, parte é ficção. Para não confundir os conhecimentos de história do leitor, destacamos a parte fictícia em vermelho.


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O Brasil dos outros 500

 Ordens e organizações


Caixa de texto:  Em 1118 a ordem dos Cavaleiros Pobres de Cristo e do Templo de Salomão, ou Templários, foi fundada por Hugo de Payen, vassalo do conde da Champanha, tornando-se a primeira das ordens monásticas de cavalaria. Seu objetivo declarado era proteger os peregrinos cristãos que se dirigiam à Terra Santa. Acolhidos pelo rei cristão de Jerusalém, Balduíno I, acabaram por transformar-se numa força militar e econômica poderosa e independente, contando com propriedades e bases militares não só na Palestina como em toda a Europa. Chegaram a Portugal já em 1125, quando a rainha D. Teresa deu-lhes o castelo de Alpreade, na Beira e logo outros ao longo da fronteira com os muçulmanos, que ajudaram a combater.

Os quatro braços da cruz simbolizam as virtudes cristãs da prudência, temperança, justiça e força. As oito pontas representam as oito bem-aventuranças pregadas por Jesus no Sermão da Montanha:

·         Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;

·         Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

·         Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

·         Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;

·         Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;

·         Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;

·         Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

·         Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;

Lembrando que se esperava, dos cavaleiros da Ordem, tranqüilidade espiritual, vida sem malícia, contrição, paciência na adversidade, amor da justiça, mercê, sinceridade e pureza de coração e resistência sob perseguição.

Durante quase dois séculos, tiveram grande prestígio em todo o mundo cristão. Além de escoltar o fluxo de peregrinos e lutar contra os muçulmanos na Palestina e na Península Ibérica, também criaram na Europa o primeiro embrião de uma rede bancária. O peregrino que receava ser assaltado durante a viagem podia depositar a quantia que quisesse junto a qualquer posto dos Templários e sacá-la em qualquer outro posto quando lhe conviesse. O sistema logo foi usado também por outros viajantes e mercadores, proporcionando riquezas e influência à Ordem.

No apogeu da Ordem, existiam quase mil comunidades de templários na Europa e no Oriente e cerca de 7 mil membros professos, além de mais de 50 mil auxiliares não-professos e dependentes. Cerca de 40% desse número eram combatentes e o restante, pessoal de apoio. Possuíam nove mil propriedades sua própria frota de galeras, que transportava cavalos, cereais, armas, peregrinos e pessoal militar. Na Terra Santa, guarneciam 53 castelos e torres de vigia.

Depois que o prestígio dos Templários foi abalado pela derrota na Palestina, totalmente reconquistada pelos muçulmanos em 1291, o rei da França Filipe IV, o Belo, viu a possibilidade de apoderar-se de suas riquezas para restaurar seu tesouro, esgotado pela luta contra os ingleses e contra senhores feudais rebeldes. Em 1305 fez eleger Papa, com o título de Clemente V, seu protegido Beltrão de Got e em 1309, para melhor controlá-lo, obrigou-o a mudar a sede do papado de Roma para Avinhão, em território francês.

Filipe e Clemente instauraram contra os Templários um processo iníquo, acusando-os de traição, heresia e sodomia, e mandaram prender Jacques de Molay, grão-mestre da ordem, e todos os cavaleiros que se encontravam na França. Em 1312, o Papa aboliu a ordem e em 1314 o grão-mestre e seus principais seguidores foram queimados vivos.

O motivo principal do processo era sem dúvida o desejo de apoderar-se dos tesouros da Ordem, mas a acusação de heresia não era totalmente arbitrária. Espalhados por terras de fiéis e infiéis, os Templários haviam tido contato com muitas crenças alheias à ortodoxia de Roma – muitas vezes sem ter plena consciência disso, já que a maioria dos cavaleiros era pouco instruída – e celebravam a missa de forma um tanto idiossincrática. É difícil, porém, saber o que há de verdade – se é que há alguma coisa – na acusação de que adoravam um ídolo chamado Baphomet (que alguns identificam com São João Batista, ao qual os Templários davam especial importância) e praticavam um ritual de profanação da cruz.

De qualquer forma, houve reis que não acreditaram nas acusações. A maioria deles limitou-se a protegê-los enquanto indivíduos, permitindo que os remanescentes dos Templários em seu território acabassem seus dias em paz. Mas o rei de Portugal D. Dinis instituiu em 1319 a Ordem de Cristo, que reuniu os cavaleiros da Ordem dissolvida pelo Papa sob sua tradicional insígnia – a Cruz de Cristo – e desempenhou um importante papel político, econômico e militar nos séculos seguintes. Inicialmente sediada na fortaleza de Castro Marim, no Algarve, teve sua sede transferida para a cidade de Tomar em 1356.

Entre outras coisas, a Ordem de Cristo patrocinou as primeiras navegações portuguesas: a frota de Cabral, por exemplo, navegava sob a insígnia templária da Cruz de Cristo, que se tornou um dos principais símbolos do poderio português e, depois, do Império Luso-Brasileiro. A insígnia da Ordem está presente na bandeira imperial, na bandeira do vice-reino de Santa Cruz e na da cidade de Piratininga, por exemplo.

Com a ruptura entre o Império Luso-Brasileiro e a Igreja Católica, após a fuga de D. Sebastião para o Brasil (1590), a Ordem de Cristo foi reformada de acordo com os princípios da nova Igreja Ecumênica. Deixou-se de exigir que os cavaleiros fossem nobres: o noviciado foi aberto a todos que demonstrassem méritos e um grau de nobreza não-hereditário passou a ser concedido automaticamente a todos que fossem admitidos como membros plenos da Ordem.

O voto de castidade deixou de ser obrigatório: os cavaleiros autorizados a se casar depois de prestar ao menos sete anos de serviço. Entretanto, continuaram a viver de forma comunitária e o grão-mestre a dispor de considerável autonomia, respondendo diretamente ao Imperador. O nome de Ordem dos Templários voltou a ser usado, junto com o de Ordem de Cristo.

Ao longo do século XVII, a Ordem se tornou um “Império dentro do Império”, administrando uma estrutura semigovernamental paralela, incluindo fazendas, hospitais, escolas, fortalezas, marinha mercante, caixa econômica, serviço de cartografia e inteligência, batalhões militares e força naval. Tornou-se uma espécie de pequeno vice-reino monástico e socialista, economicamente quase auto-suficiente. Desempenhou um papel importante na reconquista da Península Ibérica em 1670 e foi encarregada de guarnecer e proteger as bases navais luso-brasileiras de Gibraltar e Ceuta, recebendo para isso um subsídio do Império.

Em 1780, a Ordem de Cristo conta com 30 mil cavaleiros combatentes – incluindo as forças naval e terrestre – e 40 mil em funções de apoio, além de abrigar 250 mil dependentes e auxiliares não-professos. Foi a primeira das ordens tradicionais a se abrir de fato para indígenas e africanos e, desde meados do século XVIII, passou também a aceitar mulheres. Estas, porém, ainda são uma pequena minoria entre os cavaleiros – apenas umas poucas centenas.  Além de várias fortalezas, a Ordem controla quatro couraçados, quatro cruzadores e dezenas de torpedeiros. Suas bases se espalham por todo o Império.

Das tradicionais ordens luso-brasileiras, é a que permaneceu mais próxima de suas origens religiosas. A religião ecumênica ainda é uma parte importante do ethos da Ordem e os debates teológicos fazem parte de seu quotidiano.

Seus cavaleiros são respeitados menos pela coragem individual ou por seu domínio das artes marciais (embora alguns se interessem por elas) do que pela fidelidade a seus princípios, pela dedicação à causa imperial e ecumênica e pela capacidade tática e estratégica, versatilidade e vasta cultura. Incluem especialistas em combate nas montanhas, nos desertos e nos pólos.

A Caixa Econômica da Ordem de Cristo é uma das mais sólidas, confiáveis e respeitadas instituições financeiras do Império. Seus recursos são aplicados na maior parte em habitação popular, pequenos negócios e cooperativas, mas uma parte se destina a projetos de risco e outras atividades priorizadas pela Ordem.

Uma das suas divisões mais importantes para o Império é a de Inteligência. A Ordem conta com uma equipe de agentes infiltrados em todas as potências e acompanha cuidadosamente os acontecimentos políticos, sociais e militares em todo o mundo. Outras divisões importantes são a de oceanografia, que está produzindo o estudo quando possível, também além de suas fronteiras.

A divisão de ciências se destaca pelos trabalhos em biologia (principalmente marinha), medicina e psicologia. Inclui uma equipe de parapsicologia, que em 1780 está realizando as pesquisas mais avançadas sobre o assunto que existem no planeta. Acredita-se que alguns dos cavaleiros mais qualificados – principalmente na divisão de Inteligência – tem sido treinada em técnicas “mágicas” de controle da mente, percepção extra-sensorial e telecinese.